sexta-feira, 8 de março de 2013

Plano de Ação

    A introdução ao pensar filosófico precisa ser o passo inicial para construirmos uma investigação dos aspectos  educacionais que não estão aparentes, mas que de alguma forma acionam o funcionamento do que conhecemos como Educação. Essa instância institucionalizada que habita escolas e universidades, reproduzindo estruturas que colaboram para uma obtenção do conhecimento de forma desigual e por consequência instalam uma desigualdade social.     
   Ao pensarmos sobre a formação de professores dentro da disciplina Filosofia da Educação é necessário analizarmos as relações existentes entre Educação e trabalho. Esse tema nos parece fazer parte tanto da vida do educador como da vida do educando. As condições em que essa relação acontece dentro de um determinado sistema de produção.  Nesse movimento de  pensar um  fazer  pedagógico é importante deixar de lado as visões ingênuas tais como aquelas que apontam a Educação como um meio de salvação, ou uma forma através da qual uma socialização se daria de forma harmoniosa.  
       Segundo Carlos Rodrigues Brandão, a Educação se dá de diversas formas, ela não precisa acontecer formalmente   estabelecimento pré-determinado, assim sendo podemos considerar de início que educamos e somos educados continuamente. A que se perceber, no entanto, que existe  uma ligação entre os agentes  sociais e os processos produtivos para que implementemos uma investigação mais aprofundada de como acontecem essas relações. Poderíamos usar como exemplo ilustrativo o filme “ Ilha das flores” documentário de 1984 em que observamos como se dão as relações de exploração por meio do trabalho em como o processo produtivo capitalista  influi nestas relações, transformando o homem em coisa, ou seja , desumanizando- o.
      O uso do documentário terá  como objetivo desenvolver no aluno uma visão crítica e global dessas relações sociais que não estão desvinculadas apesar de nos parecer assim. Mais especificamente  discutiríamos  o trabalho em se caráter alienante uma vez que tomando todo o tempo do indivíduo não lhe da possibilidade de pensar seu próprio fazer. O trabalho alienante, a questão da mais-valia, ou seja, o lucro sobre o trabalho dos indivíduos, as questões dos meios de produção e modos de produção  podem ser amplamente  explorados neste filme com base no pensamento de Karl Marx que a despeito das inúmeras críticas foi quem nos apresentou o funcionamento do sistema  que se estabelece com base nas desigualdades.
     Fazendo uma ligação entre Trabalho e Educação e dando continuidade as aulas podemos lançar mão de um longa metragem por nome  “ Pr’o dia nascer feliz” do cineasta J. jardim. Nesta fita observamos as contradições e mesmo a manutenção da realidade  que contribuem para a permanência de uma situação de desigualdades . O filme mostra  a realidade de escolas públicas  e particulares , os dramas de professorado e alunos  revelando as mazelas que nosso sistema apresenta como um todo, desta forma aproximamos  os futuros professores da verdadeira condição em que ele está inserido pensando as forças que acionam esse processo e mesmo os interesses que insistem em considera manter essas condições.
    Aqui  podemos apresentar os trabalhos de Moacir Gadotti e Demerval Saviani que discutem uma nova possibilidade de relação entre professor-aluno. Uma relação dialética onde um aprende com o outro, bem diferente das concepções tradicionais onde tento Gadotti quanto Saviani partem dos estudos e teses de Paulo Freire que defende uma Educação que levasse em consideração o conhecimento que o aluno já possuía para  a partir  dele construir outras relações como o próprio conhecimento desenvolvendo assim uma autonomia.    O documentário “pr’o dia nascer feliz” mostra  que estamos muito atrasados com relação a formação do professor bem como na forma como o conhecimento chega ao aluno ou é produzido por ele.   Mais uma vez a questão do sistema produtivo vem a tona.  Se considerarmos que no sistema capitalista o “produto final” é o que vale passamos a entender os  motivos pelos quais a Educação e o professor são tão desvalorizados. O professor trabalha na formação do ser.   O ser sob uma perspectiva “ ontológica” não aparece não se torna produto consumir logo para o sistema capitalista o trabalho da Educação em certa medida se torna improdutivo.  O espírito do capitalismo está centrado no imediatismo, no entanto o processo educacional acontece a meio e longo prazo só podemos perceber a melhoria e implementação de avanços com algum tempo de investimento.
      Uma investigação  filosófica e rigorosa dos  fatores que ligam trabalho e Educação podem ser feitas a partir da análise desses  filmes pois, a apresentação única e exclusiva dos fundamentos teóricos nos parece afastar o estudante e não cria condições, não ambienta a desenvolver um pensamento crítico a respeito desse tema que é tão profundamente importante e que diz respeito a sua própria condição de ser-no-mundo , fazendo uma alusão ao pensamento heideggeriano.  Toda essa investigação nos parece fazer parte de um caminho fenomenológico onde passamos a nos pensar dentro do processo e não mais apartados e distantes do objeto de estudo assim como preconizam as “ciências sociais”. Nessa perspectiva crítica o professor se descobre como um agente transformador, dentro das possibilidades e de sua realidade. No lugar de ser um mero transmissor de conhecimentos pode ser um conscientizador , contribuindo assim para uma educação menos alienante, ainda que a estrutura lhe impeça , muitas vezes, de exercer esse papel.
      É preciso lembrar  ainda que no que diz respeito a disciplina “filosofia” apresentamos uma defazagem absurda tendo em vista sua ausência dos currículos escolares durante quase 30anos. O pensamento a respeito de qualquer área se dá lentamente o que mais uma vez contraria o sistema no qual estamos inseridos. Esse methodos ou caminho tem como objetivo, então, apresentar aos alunos (futuros professores) as contradições que são inerentes ao sistema capitalista , não esquecendo que estamos dentro desse sistema e que seus objetivos necessariamente  se refletirão na cultura e na educação. Investigar essas contradições, suas conseqüências nos parece tarefa da filosofia da Educação que diferente da opinião do “senso comum” quer entender  o realmente está por trás dessa realidade aparentemente pronta que nos é dada.  Baseada em uma lógica tradicional metafísica que já a muito foi questionada.
    Todo esse esforço nos parece fundamental para que o aluno possa pensar o seu fazer. Vinculá-lo a realidade na qual ele trabalhará aponta para uma contribuição diferenciada na sua formação . A concepção que segue os caminhos destes estudiosos como Gadotti, Saviani, Paulo Freire , Cipriano Luckesi, Antônio Gramsci e mesmo o pensamento de uma ontologia fundamental heideggeriana. 

Bibliografia:
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. SP: Ed. Moderna, 1989.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues.  O que é Educação. SP: Ed. brasiliense, 1987. 
GADOTTI, Moacir. Pensamento pedagógico  brasileiro. SP: Ed. Ática, 1988.
_____________Concepção dialética da Educação. SP: Ed. Cortez, 2012.
GHIRALDELLI. Paulo. O que é Filosofia da Educação. SP: Ed. brasiliense, 1966.
GRAMSCI, Antônio. Os intelectuais e a organização da cultura. RJ: Civilização brasileira, 1982.
KAHLMEYER, Roberto. Heidegger e a Educação. BH: Ed. Autêntica, 2008.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. SP: Ed. Cortez, 1991.
SAVIANI, Dermeval. Educação: do senso comum à consciência filosófica. SP: Ed. Cortez,1986.
 _______________Educação e democracia. SP: Ed. Autores Associados,2009. 
SPANOUDIS, Solon. Todos nós ....Ninguém. Um enfoque fenomenológico do social. SP: Ed. Moraes, 1981   

 

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